FRASE DO MÊS

JUNHO

De um mundo de confronto para um mundo de respeito mútuo

Recentemente, um companheiro meu da jornada da Terra Pura visitou sua cidade natal.  O encontro com seus pais lhe evocou naturalmente momentos do passado.

Segundo suas palavras, ele era tomado por uma sensação estranha em relação ao meio que o cercava, como se desde sempre não quisesse participar do mundo, tanto que sua aquisição da linguagem demorou muito, preocupando seus familiares.

Na infância, surgiu-lhe até uma reflexão espontânea sobre o mundo após a morte: “Não quero cair no inferno. Dizem que é doloroso. Mas, por outro lado, nem quero ir para o paraíso, que deve ser muito entediante.” Essa reflexão redundou numa indagação penosa: por que vim para este mundo? A que título minha mãe me deu à luz?

Por muito tempo, ele não soube associar essa indagação ao seu encontro com o ensinamento do Buda. Ele se lembra de que, quando tinha 14 anos, ocorreram os ataques de 11 de setembro. O então presidente dos EUA declarou guerra contra os terroristas em nome da justiça. Alguns dias depois, uma monja apareceu na televisão e citou uma passagem do Dhammapada: “O ódio não se vence por outro ódio. O ódio se extingue ao abandoná-lo. Esta é a lei perpétua.”

Como as demais pessoas que assistiram àquela cena quase hollywoodiana, ele também pensava que a justiça deveria acabar com os males. Não obstante, as palavras do Buda inverteram definitivamente seu raciocínio, de forma que ele afirmou à sua família que sua vida precisaria de mais ensinamentos do Buda.

Na época, ele não percebia que aquela frase do Dhammapada lhe havia dado uma nova perspectiva sobre a indagação que carregava: por que vim para este mundo? Ele diz que as palavras do Buda, na verdade, haviam lhe ensinado que a justiça não é uma verdade e que julgar seu nascimento é algo inútil e sem fim.

Se há felicidade neste mundo, saha, ela consiste em vivenciar o momento em que os sofrimentos passam a não ser sofrimentos. Ela consiste em participar da transformação de um mundo de confronto em um mundo de respeito mútuo.