Tendemos a procurar a origem dos problemas no exterior, atribuindo-a aos outros. Da mesma forma, pensamos que, um belo dia o sentido único e maravilhoso da vida deve ser revelado por alguém e que a salvação será concedida por um Deus.
Segundo o ensinamento do Shakyamuni, só podemos vivenciar as consequências das nossas próprias ações, físicas, verbas e mentais. O mundo não passa de um resultado dos carmas. Ao ouvir o Dharma, que revela nossa perspectiva ardilosa, a nossa ignorância, raiva e ganância se transformam em agradecimento e arrependimento.
A ignorância, raiva e ganância são chamadas de paixões cegas que nos obscurecem a visão silenciosamente. Normalmente, não nos percebemos mergulhados no fundo da escuridão. No caminho, porém, as paixões cegas são imprescindíveis.
Quando pessoas comuns, todas, boas ou más,
Ouvem e confiam no Voto Universal do Tathgata,
Elas são consideradas pelo Buda Shakyamuni como seres de grande e excelente compreensão”.
Elas são chamadas de flores do lótus branco”. (Shoshingue)
O lótus branco só surge na lama feia e inundada. E, depois de crescer, abre a flor sob a luz da lua. O desabrochar alude à realização do caminho. A lama se refere às paixões cegas. Sem lama, a flor não teria sua fonte de nutrição. Sem paixões cegas, não haveria iluminação. Apesar de nascer na lama, o lótus floresce de forma imaculável e serena.
Independentemente do tempo, a luz da sabedoria nasce junto com a percepção sobre o nosso verdadeiro modo de ser e rompe a cadência cármica.
É como se nuvens e névoas velassem o sol.
Ainda resta claridade, não chega a haver escuridão.
Ao recebermos o Coração Confiante,
tornamo-nos conscientes do Buda
E o reverenciamos: uma grande alegria surge em nós.
Então, de imediato, rompemos transversalmente as cinco condições maléficas. (Shoshingue)