FRASE DO MÊS

JuLho

"O Templo é o local onde vou me encontrar."

Seus próprios apegos os conquistam
As crises os esmagam
E o sofrimento os persegue
Como se penetrasse a água no barco arruinado.

Por isso mesmo, convém vocês
Evitarem os desejos cautelosamente.
Atravessam o rio turbulento
Ao abandonarem os desejos.
(Tradução livre do Kamasutta da Atthakabagga)

Assim, num dos extratos mais antigos do Sutta Nipata, o Buda Shakyamuni expôs aos nobres praticantes o caminho dos sábios. Diferentemente disso, o budismo da Terra Pura profere o trabalho do Buda Amida que visa salvar todos os seres, sejam sábios ou não, por meio da prática fácil, o Nembutsu. Ambos possuem um mesmo objetivo: atravessar o samsara em que nos encontramos imersos.  
  
É comum questionar se, realmente, bastaria apenas recitar o Nome do Buda Amida. Sim, essa história parece boa demais.  
  
Em Osaka, havia um mestre chamado Koryu Kagai (1882-1946). Ele viajava de um templo para outro, atravessava todo o país dando suas palestras. E percebia a sombra de um homem que o acompanhava em sua jornada. O desconhecido aparecia sempre no canto da nave dos templos que visitava, ouvindo atentamente sua fala.

Um dia, depois de uma palestra, o homem procurou Koryu Kagai que estava tomando chá na companhia de algumas pessoas. E foi diretamente ao que o intrigava: através da simples recitação do Nome do Buda Amida, as pessoas nascem na Terra Pura. Essa história me parece boa demais. Gostaria de saber: qual é o caminho verdadeiro da salvação?

Koryu Kagai não se conteve: suma da minha frente! O homem permaneceu ali e alegou: larguei meu trabalho para ouvir suas palestras. Preciso encontrar meu caminho de salvação. Koryu Kagai pediu para as pessoas o expulsarem. Ainda assim, o homem resistiu. O clima da sala se congelou.

Afinal, Koryu Sensei rompeu o silencio: você não está afogado num rio de Osaka. Você está afogado no oceano pacífico. Se fosse o rio, você poderia medir a distância das margens, escolheria um lado mais próximo e contaria com sua habilidade em nadar. No meio do oceano pacífico não há nada em sua vista. Se, de repente, aparecesse um barco e daí alguém jogasse uma rede para você segurá-la, você diria que essa história lhe parece boa demais?  

O Voto Original é uma grande tocha acesa na longa noite da ignorância;
Não fiquem tristes se os seus olhos de sabedoria ainda não estão abertos.
O Voto é um barco no imenso oceano do Samsara;
Não fiquem aflitos por serem grandes os seus obstáculos cármicos.
(Hinos das Três Idades do Dharma, 36)

Rev. Keizo Doi
Monge Regente do Templo Shin Budista de Brasília