SHIN BUDISMO

Templos Jodo Shinshu

O caminho budista Jodo Shinshu foi fundado por Shinran Shonin (1173-1263) durante o período Kamakura e, ao longo de vários séculos, tornou-se uma das maiores e mais influentes escolas de budismo no Japão, posição que mantém até hoje. O templo Hongwanji é a sede da denominação Hongwanji do Budismo Jodo Shinshu (Jodo Shinshu Hongwanji-ha).

Enquanto outras escolas de Budismo procuram “alcançar” ou “realizar” a iluminação, o caminho do Budismo Shin é simplesmente ouvir e abrir o coração para recebê-la. Em vez de buscar a iluminação, simplesmente ouvimos o Dharma e o recebemos, permitindo que ele se desenvolva em nossos corações e mentes. Isso não requer nenhum estilo de vida específico. Você não precisa se tornar um monge ou ficar sentado por horas em meditação. Você pode ouvir o Dharma em sua vida cotidiana, não importa o que faça ou onde esteja, recitando o Nome do Buda Amida.

Ensinamento

Jodo Shinshu (A Verdadeira Essência do Ensino Budista da Terra Pura)

Fundador

Shinran Shonin
Nascimento: 21 de maio de 1173
Morte: 16 de janeiro de 1263

Escola

Jodo Shinshu Hongwanji-ha (Honpa Hongwanji)

Templo Principal

Ryukoku-zan Hongwanji (Nishi Hongwanji)

Objeto de Reverência

Tatāgata Amida (Namo Amida Butsu)

Notas:
Hongwanji significa “Templo do Voto Primordial”.
O Voto Primordial é a promessa do Buda Amida de salvar todos os seres.
O caminho Shin ou Jodo Shinshū é uma das muitas denominações do Budismo Mahayana.
Honpa é uma abreviatura de Hongwanji-ha, a organização sede em Kyoto, Japão, do Budismo Jodo Shinshu.

Livros

Ensinamento

Pela virtude do Voto Original do Tatāgata Amida (Buda), recebo a mente e o coração confiantes (Shinjin) e vivencio o Nembutsu (o nome de Amida). Quando os elos que me prendem a esta existência se desfazem, se dá o nascimento na Terra Pura. Torno-me Buda e retorno a este mundo da ilusão para conduzir os seres à iluminação.

Vida Cotidiana

Guiado pelos ensinamentos de Shinran Shonin, ouço o chamado compassivo do Tatāgata Amida. Recitando o Nembutsu, sem recorrer a súplicas e superstições, reflito sempre sobre minha conduta. Na tristeza dos meus erros e na alegria, levo uma vida de gratidão e retribuição por todos os benefícios.

Propósito

Somos uma comunidade de pessoas, irmanadas no Darma, que seguem os ensinamentos de Shinran Shonin. Praticando o Nembutsu, procuramos compartilhar com outros a sabedoria e a compaixão do Tatāgata Amida. Contribuímos assim para a realização de uma sociedade em que todos possam viver uma existência plena.

Rituais e Tradições

Recitação do Nembutsu

O Nembutsu, o nome do Buda, não é recitado como um mantra ou prática religiosa para obter mérito. Deve ser pronunciado e ouvido em Consciência, Alegria e Apreciação da imensa Compaixão do Buda Amida. Ao fazê-lo manifestamos nossa confiança verdadeira no voto original do Buda. Namo Amida Butsu significa “Eu tomo refúgio no Buda”, “Eu confio no Buda da Vida Imensurável (Compaixão) e da Luz Infinita (Sabedoria).

Glicínia

Planta nativa do Japão, a glicínia ou wisteria é conhecida também como flor-da-ternura. É ainda chamada de flor de Fuji, símbolo da nossa escola budista. São dois ramalhetes que crescem em semicírculo para baixo, simbolizando que toda progressão budista é no sentido da humildade e da harmonia. Sua forma é uma espécie de abrigo ao praticante.

Gassho

Juntando as palmas das mãos e curvando-nos diante do Buda, expressamos a nossa mais profunda gratidão à Compaixão e à Sabedoria simbolizadas pela sua imagem. A mão direita representa o Buda, enquanto a mão esquerda representa a própria pessoa. Juntas elas simbolizam a Unidade com o Buda.

Nenju

O nenju simboliza a unidade e é usado para que se esteja ao eu desperto. É colocado ao redor das mãos em gassho com a borla pendurada para baixo. Quando não estiver em uso, é colocado no pulso esquerdo ou segurado com a mão esquerda.

Monto

O monto shikisho é um paramento que os adeptos leigos colocam em torno do pescoço. Ao usá-lo a pessoa demonstra seu comprometimento com a escola à qual pertence, rememorando o compromisso com os 3 Tesouros do Budismo: Buda, Darma (ensinamento) e Sanga (comunidade).

Oshoko

O incenso é oferecido no momento em que se entra na Nave do templo, em gesto de gratidão, preparando nossas mentes para ouvir o Dharma, os ensinamentos budistas.

Shoshinguê

O canto do Shoshinguê, Wassans e outros versos igualmente importantes para o Shin Budismo, é parte fundamental dos ofícios. Cantar os ensinamentos de Buda é uma forma alegre e coletiva de viver o Dharma, uma experiência de unidade na qual as vozes individuais somam-se e diluem-se em uma só voz. No Budismo Shin, tanto leigos quanto clérigos podem cantar juntos.

Toque do Sino Pequeno (Kansho)

O sino é tocado para sinalizar o início do serviço e dar tempo para concentração. Simboliza a voz de Buda clamando “Venha, procure refúgio”.

Sutras

O Budismo não tem um único livro sagrado, ao contrário de outras religiões. Seguindo a tradição de transmissão oral e posterior registro e interpretação dos ensinamentos de Buda, existem uma infinidade de textos denominados Sutras. A palavra sutra originalmente significava o “fio” que prendia as folhas escritas.

Principais Escrituras

Os Três Sutras da Terra Pura Proferidos pelo Buda Shakyamuni
O Sutra do Buda da Vida Imensurável (Bussetsu Muryōju Kyō)
O Sutra da Contemplação do Buda da Vida Imensurável (Bussetsu Kammuryōju Kyō)
O Sutra do Buda Amida (Bussetsu Amida Kyō)

Escritos de Shinran Shonin
Shōshin Nembutsuge [Hino ao Nembutsu no Verdadeiro Coração Confiante], trecho da obra Kyōgyōshinshō
Jōdo Wasan [Hinos da Terra Pura]
Kōsō Wasan [Hinos dos Mestres da Terra Pura]
Shōzōmatsu Wasan [Hinos das Três Idades do Dharma]
Entre outros

Obra Principal de Rennyo Shōnin, O Revitalizador
Gobunshō (Cartas do Mestre Rennyo Shonin)

FUNDADORES E PATRIARCAS

SHINRAN SHONIN
Fundador do Shin Budismo

Shinran Shonin (1173-1263) nasceu em família aristocrática, fica órfão muito cedo e entra para o templo Eiheiji da Escola Tendai, no Monte Hiei, aos nove anos de idade. Aí passa vinte anos de vida monástica, dedicando-se intensamente aos estudos e práticas budistas, como a recitação contínua do Nembutsu por períodos prolongados. Perde, no entanto, a esperança de atingir a iluminação através da disciplina e estudo, bem como decepciona-se com a corrupção que prevalecia no mosteiro. Abandona o Monte Hiei e junta-se posteriormente ao movimento do mestre Honen Shonin (1133-1212), cuja compreensão da prática religiosa era radicalmente nova. Para Honen, todos os esforços egóicos para alcançar a iluminação são contaminados pelo apego. O Dharma é “recebido” e devemos apenas abrir nossos corações e mentes para ele em atitude de gratidão. O Dharma pode ser recebido por qualquer pessoa, seja monge ou leigo. Importa menos o estilo de vida e mais a atitude correta. Os templos estabelecidos, neste período, não aceitavam de boa vontade tais ideias. Em 1207, conseguiram a proibição governamental aos ensinamentos do Nembutsu. Exilado e despojado do seu sacerdócio, Shinran se casa e forma família. Adota o nome de Gutoko, que significa algo como “um tolo, um ignorante com tonsura”. Com este nome, quis indicar a futilidade de se apegar ao intelecto e à própria santidade. Anos depois, já indultado, dirige-se à região de Kanto, onde propagou o ensinamento do Nembutsu durante 20 anos. Formou um movimento muito amplo entre os camponeses e samurais de classes inferiores. Dedica as suas três últimas décadas de vida aos seus escritos, entre eles sua obra principal, conhecida popularmente como Kyogyoshinsho.

RENNYO SHONIN
O restaurador do Shin Budismo

Sob a orientação de Rennyo, o líder da oitava geração, o Hongwanji cresceu notavelmente. Depois de assumir a posição de chefe do Hongwanji (atualmente se chama Monshu), Rennyo teve grande sucesso na difusão do ensinamento, por meio de uma linguagem poderosa e coloquial, especialmente através de cartas (Gobunsho). O crescimento da influência do Hongwanji em Omi (Província de Shiga) provocou a ira do templo Tendai, no Monte Hiei, que tradicionalmente considerava esta uma área sob sua jurisdição. Em 1465, monges guerreiros do Monte Hiei atacaram o Hongwanji repentinamente e destruíram vários edifícios, forçando a retirada de Rennyo. Rennyo se estabelece em Yoshizaki, Echizen, onde a sua reputação de grande líder religioso atrai milhares de seguidores. Vendo seu movimento emaranhar-se em lutas violentas e sem poder refrear seus discipulos, Rennyo decide se retirar da região. Em 1478 elege Yamashina, nas cercanias de Kyoto, como o local para a construção de um templo, onde exerce a função de Monshu até os 74 anos. Mais tarde, estabelece um templo em Ishiyama, na Baía de Osaka, que devido ao intenso tráfego fluvial, era um lugar ideal para a propagação dos ensinamentos. Rapidamente formou-se uma aldeia ao redor do templo, que se tornaria a cidade de Osaka. Quando Rennyo faleceu, aos 85 anos, o pequeno templo de Kyoto tinha se transformado numa poderosa instituição religiosa.

OS SETE PATRIARCAS

Para constituir o Verdadeiro Ensinamento da Terra Pura, Shinran Shonin selecionou sete mestres. Em comum, cada mestre manifestou claramente sua aspiração de nascer na Terra Pura e mencionou a importância da recitação do Nome do Buda Amida (Nembutsu).

Nagarjuna (Século II ou III D.C)

Filósofo religioso da Índia, referência para as escolas do Mahayana, fundou a Escola Madhyamika. Ele enfatiza a prática fácil para atingir a iluminação, distinguindo-a das práticas difíceis da tradição budista em geral. Essa prática requer apenas a recitação do Nome (Nembutsu), com a mente confiante no Voto Original do Buda Amida.

Vasubandhu (Cerca do séc. IV D.C)

Estudioso e brâmane indiano, era chamado em chinês de Seshin ou Tenjin. Foi um dos fundadores da Escola Yogacara, ou Escola de Meditação. No seu discurso sobre a Terra Pura, declara a singeleza da mente em Amida, aspirando nascer na Terra Pura, e expõe as vinte e nove descrições dos aspectos da Terra Pura de Buda e dos Bodhisattvas.

T’an Luan (476 – 542 D.C)

Fundou a Escola Chinesa da Terra Pura. A mais marcante característica da sua doutrina é a ênfase no Outro Poder (Tariki), em oposição ao Poder Próprio (Jiriki). Ele tornou isso claro no seu “Comentário do Discurso sobre a Terra Pura” onde diz que ambos, o Nascimento na Terra Pura e as subsequentes atividades altruístas, são causados pelo poder de Amida.

Tao-ch’o (562 – 645 D.C)

Fundou a Escola Chinesa da Terra Pura. A mais marcante característica da sua doutrina é a ênfase no Outro Poder (Tariki), em oposição ao Poder Próprio (Jiriki). Ele tornou isso claro no seu “Comentário do Discurso sobre a Terra Pura” onde diz que ambos, o Nascimento na Terra Pura e as subsequentes atividades altruístas, são causados pelo poder de Amida.

SHAN-TAO (613 – 681 D.C)

Foi discípulo de Tao-Ch’o, na China. Em sua obra “Comentários sobre o Sutra da Contemplação”, mostrou que mesmo um homem comum pode nascer na Terra Pura, em virtude do Voto do Buda e da prática corporificada no Nembutsu. Entre recitar sutras, visualizar Amida e sua Terra e reverenciá-lo, pregou a predominância da vocalização do Nembutsu: dizer o Nome de Amida é igual a aceitar o seu Voto, confiar em Buda, incondicionalmente.

GUENSHIN (942 – 1017 D.C)

O primeiro monge japonês a compor a lista dos Sete Mestres de Shinran Shonin. Sua obra “Coleção de Passagens Essenciais sobre o Nascimento” descreve as misérias e aflições dos seis reinos do samsara e, em contraste, os dez felizes aspectos da Terra Pura. Nela, ele afirma ser a Terra Pura de Amida superior às outras Terras de Budas, detalha a prática de Nembutsu e a recomenda com toda singeleza da mente.

HONEN / GUENKU (1133 – 1212 D.C)

Guenku, conhecido como Honen, foi mestre de Shinran Shonin e consolidou as bases futuras da confiança irrestrita no outro poder. Defende a independência da seita Jodo em relação a outras escolas da Terra Pura. Considera o Nembutsu a única prática compatível com o Voto Original de Amida, por ser fácil e acessível a todos os homens e mulheres. Por essas características, seu ensinamento tornou-se amplamente aceito e popular.